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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ME AME...


Quero que você me beije,
me abraçe,se enrosque me faça cócegas me enrole,
me diga bobagens, me faça sua,
me esfole...
Me chame gostosa, me de um cheiro...
Quero que você se derreta, entre as cobertas
seja macho feroz, mostre pegada,
seja todo suor e gritos...
Quero que você me cheire,
me ame, me diga és minha, sou teu...
Quero você escravo, eu sua dona...
Que me dê colo, me abrace,
no antes e no depois..
Quero que me sinta quente e gostosa
naquele recomeço sem fim...
toda sua meu macho gostoso...

*Gilda Pinheiro de Campos*

sábado, 10 de dezembro de 2011

AUSÊNCIA..!


Sem sonhos, sem divagações
Volto-me para dentro de mim
Tento desvendar o porque
Da vida mostrar-se assim...

Noites que afugentam meu olhar
Ainda com luzes de prata a brilhar.
Parece esconder-se o raio do luar
Talvez até com receio de me tocar!

As manhãs que chegam tão ditosas
Já não mais me causam euforia...
Ainda que o sol espalhe a luz formosa
Nuvens aprisionam minha alegria...

Seria isto a ausência do amor?
Este completo descrédito ante a vida
Tornando-me uma estátua esculpida
Sem interesse algum seja para o que for!

Mas eu sei que o amor vive em mim
Em algum canto de meu ser ele habita.
Só não o encontro para minha desdita...
E assim o tempo vai escorrendo sem fim!...

Sinto minha pele toda arrepiar-se
Se pela janela vejo alguém passar
Que tenha a boca, o sorriso, ou o olhar...
Ou que a ti se assemelhe ao andar...

Mas aquele rosto amado, onde está?
Porque minha memória permite naufragar
na lembrança, ecos, imagem, o lugar...
Onde encontrei um dia, o amor a me esperar!

Nebulosos pensamentos me ocorrem
Sensações como braços que me enlaçam...
O toque de lábios trazendo ardentes beijos
Dois corpos vibrando em desejos...

Mas falta-me ainda o teu toque de calor
Que da névoa dissipará a cinzenta cor...
Trazendo de volta a luz à minha mente
E eu possa assim reviver o amor ausente!!


Theca Angel

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fiquei ali Sozinha...


Sentimentos tão confusos
pensamentos tão distantes
desejos tão secretos
nem mais um olhar
ou uma palavra
você se foi sem lembrar de se virar
pra você tudo era tão fugaz

Fiquei ali
com medo do que senti
engoli as palavras
guardei-as num canto do meu corpo
naquele momento , abandonado
busquei o calor do beijo da véspera
o abraço apertado
a poesia da nossa cama
o amanhecer de nossos
carinhoso adormecer embrulhadinhos
o sorriso cúmplice
o prazer extasiante
os sonhos por realizar
a intimidade vivenciada
tantos afetos compartilhados
um instante!nada mais...

Toquei o amor agora estraçalhado
minhas emoções perdidas
meu pranto de amante
meus medos femininos
minha tristeza fria
solidão dilacerante
tragando a dor em soluços
chorei
Ao longe você ia...se desfazia
como nuvem branca
uma fumaça!fogo!
que surge e se apaga
nas curvas eu te perdia...



SoraiaMaria

sábado, 26 de novembro de 2011

DE REPENTE 60 (ou 2x30)

Ao completar sessenta anos, lembrei do filme "De repente 30",em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.
Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade.
Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?
Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um casamento que durou tão pouco!Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira febre do filho que hoje tem mais de trinta anos.
Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso espaço!
Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência.
Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos depois.Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade, num novo posto de trabalho.
Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho todas as manhãs.
Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e empeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS.
Testemunhei a conquista dos cinco títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas transmissões,vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e algumas guerras modernas.
Passei por três reformas ortográficas e tive de aprender a nova linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.
Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares que um dia sonhei conhecer.
Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho aprendido muito mais que ensinado.
Só agora comecei a precisar de óculos para perto (para longe eu uso há muitos anos) e não tinjo os cabelos, pois os brancos são tão poucos que nem se percebe (privilégio que herdei de meu pai, que só começou a ficar grisalho após os setenta anos).
Há marcas do tempo, claro, e não somente rugas e os quilos a mais, mas também cicatrizes, testemunhas de algumas aprendizagens: a do apêndice me traz recordações do aniversário de nove anos passado no hospital; a da cesárea marca minha iniciação como mãe e a mais recente, do câncer de mama (felizmente curado), me lembra diariamente que a vida nos traz surpresas nem sempre agradáveis e que não tenho tempo a perder.
A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo diminuiu, lembro de coisas que aconteceram há mais de cinquenta anos e esqueço as panelas no fogo.
Aliás, a memória (ou sua falta) merece um capítulo à parte: constantemente procuro determinada palavra ou quero lembrar o nome de alguém e começa a brincadeira de esconde-esconde.
Tento fórmulas mnemônicas, recito o alfabeto mentalmente e nada!
De repente, quando a conversa já mudou de rumo ou o interlocutor já se foi, eis que surge o nome ou palavra, como que zombando de mim...Mas, do que é que eu estava falando mesmo?Ah, sim, dos meus sessenta.
Claro que existem vantagens: pagar meia-entrada (idosos, crianças e estudantes têm essa prerrogativa, talvez porque não são considerados pessoas inteiras), atendimento prioritário em filas exclusivas, sentar sem culpa nos bancos reservados do metrô e a TPM passou a significar ?Tranquilidade Pós-Menopausa?.
Certamente o saldo é positivo, com muitas dúvidas e apenas uma certeza: tenho mais passado que futuro e vivo o presente intensamente, em minha nova condição de mulher muito sex...agenária!
Regina de Castro Pompeu

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Esperarei o tempo do mundo

Esperarei por ti,todo o tempo do mundo
Até que teu orgulho te abandone
Tenho estado aqui...na vida
E nem sabes se existo ainda
Esperando a nossa conversa,adiada
Conversando,as almas ficam calmas
Esclarecidas de maus pensamentos
Há momentos na vida,inadiaveis
E eles surgem e os seguimos
Mas toda a atitude se paga
E esperando estou,teu amor de novo
Não sentirás teu-meu coração me chamar?
Mas te digo,eu esperarei
Esperarei,até quando partir
E de lá saberei,quando voltáste para mim
Aí,então partirei de vez para os braços do Pai.

De tua mãe,que pensa ser poeta.


Sara Rosa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Brincar de rimar...




Eu quero qualquer coisa mágica,
qualquer coisa azul,
qualquer forma de ser feliz.
Não quero acordar cedo,
quero prolongar o sonho mesmo
que a história seja trágica.
Não quero sonhos falsos,
Não quero destino já traçado,
Não quero uma vida básica.
Não quero restos ou pedaços
Não quero olhar o relógio,
Não quero um tempo sádico.
Quero valer um mar azul
uma estrela na varinha de condão
um poema de efeito mágico,
que seja fácil, que seja simples,
nem litúrgico, nem letárgico,
mas que fale ao coração...



sonia schmorantz

sábado, 13 de agosto de 2011

Esquecer que vivi...




Vou esquecer outra faze da vida
Muito escrevi,muita emoção
Passei para este papel
E dei a conhecer minha veia
Talvez de poeta,simples nas palavras...
Estão guardados os prémios,os comentários
Esta pequena e ilusória época áurea
Que todos nós teremos que passar...
Como tudo na vida...estive inteira...
Continuarei a escrever,se Deus me ajudar
Mas só para mim,sem mais ninguém
A conhecer minha prosa poética
Gosto de ser livre no que escrevo
Gosto de sentir esta intuição chegar
Sem reguladores de tempo e texto
Quero que o que escrevo
Traduza o momento que sinto e vivo
Como todo o ser que escreve
Gosta que o apreciem,eu também...
Mas tenho quem não goste
E tenho quem o goste
Estranho estar na vida...
Como diziam meus amigos poetas
Poetiza Sara,grande poeta da sensibilidade
Não lerei mais estes galanteios
Mas continuarei a dizê-los a mim...





Sara Rosa

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Acorrentados...




Caminho nos labirintos de nós dois
Minhas mãos tornam-se atrevidas
Elas buscam despertar o teu prazer,
Em toques suaves que te fazem arder
Elas excitam todos os teus sentidos...

As chamas da tua paixão se acendem
Incendiando o teu ser,
Agarro-te e enlaço o meu corpo ao teu
Entrego-me aos teus desejos despudorados
Nesta entrega total, sem saber se faz bem ou mal
Somos amantes e cúmplices, até as entranhas do nosso ser...
Entrelaçados agora somente pelo amor,
Caminhamos acorrentados pela paixão...



Sandra Galante.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

GRANDE MISTÉRIO




Quem somos?
vida de tantas vidas,
que, em vidas perdidas,
nós encontramos em sinais.

Um ponto misterioso,
que ainda existe, somado ao mais
desconhecido, que não saberemos jamais
quem fomos, quem somos na vida do tanto faz,
um ponto misterioso que não existe mais,
mas que faz a diferença,
na crença de não sermos iguais
na pele, nos traços por fora, por dentro,
no sangue e no apenas desfaz.

Vim de um ponto obscuro,
que não me lembro mais;
atravessei o deserto nadei nas águas do mar,
venci limites, e aqui estou,
desconhecida, com um sobrenome,
fazendo a história acontecer,
sem saber quem sou, prá onde vou,
em nome do grande amor,
que, como semente descrente,
na crosta da terra brotou,
balançando no vento,

a saudade que enraizou,
sem nome, circulando, vibrando,
mostrando que aqui estou,
perdida, esquecida, sem saber que sou
mistério, critério de um ponto sem nó
que a vida abraçou.




Schyrlei Pinheiro