O BRUXO DO AMOR

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domingo, 14 de setembro de 2008

FIM.....


Talvez porque te amasse sem o saber,
nesse dia em que me desiludiste
virei-me noutra direcção.
Não que tivesse sentido da tua parte
qualquer sinal[nem antes, nem depois]-
mas, simplesmente,esgotas-te em mim.
Como aquelas imagens que durante longo tempo
envelhecem nas paredes, e um dia a gente sente
que têm de partir, de serem substituídas por outras,
não por causa delas em si, mas porque intuímos que consumaram
a sua razão de ser.
Foi como quando deixei de crer na transcendência,
irreversível e trágico momento em que,
ao sair de uma igreja,de repente me encontrei só.
Tão exposto com as outras coisas,
e no entanto dolorosamente [ao contrário delas] consciente disso.
Sem perceberem que tudo o que acontece, mesmo num instante,
é o ponto de chegada de uma vida de procura, alegria e sofrimento.
Temos de atravessar este mundo desprevenido,
como quando eu percebi que tu já não existias,
qualquer que fosse o tu que tu tivesses sido.
E assim preparamo-nos para a sede da viagem
que vai de um ponto a outro de nós mesmos:
uma pista no deserto, sem princípio nem fim,
pronta a desaparecer em cada duna.
E no entanto, resplandescente ao sol,
numa luz total, absolutamente vazia.


Vitor Oliveira Jorge

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